terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Final do dia...

Estou outra vez por casa, isto trocado em miúdos quer dizer desempregada. Um misto de sensações vão-se apoderando de mim. Ninguém quer estar desempregada, eu estou neste papel pela segunda vez e não gosto, sinto-me pouco útil, tenho insónias a pensar no futuro e como vou conseguir outro trabalho nestes tempos tão difíceis. Por outro lado, não estava bem no sítio onde estava, adorava o trabalho, as crianças e todas as atividades que fazíamos juntas. Era cansativo sim, mas muito reconfortante.
As crianças são, sem margem para dúvida, o melhor do mundo e a idade da descoberta é fascinante.

O problema era o horário pesado que fazia, entrava às 8h30 e saia às 18h30. Tinha duas horas de almoço que para mim era muito tempo e acabava por quebrar o ritmo e a tarde custava muito a passar. No sítio onde trabalho, se fazes bem não dizem nada, se fazes mal és chamada atenção. Parece comum em muitos sítios, eu sei, mas ali, com a necessidade de apertar o cinto, era pedido  para fazer o trabalho de duas pessoas e nem sempre corria bem. Estes e outros pequenos dissabores que fui tendo, estavam a deixar me deprimida, em baixo. Passava pouco tempo com a minha filha, o fim do dia era para o banho dela, a sopa, o nosso jantar e cama. Não cuidava de mim, nem tão pouco tinha tempo para mim e para as minhas coisas ( a universidade ressentiu-se dessa falta de tempo e deixei algumas cadeiras atrasadas no 2º semestre). O fim de semana passava a correr entre compras, as lides da casa e a minha filha. Andava mais do que exausta, andava sem paciência e deprimida.

O lado menos mau do desemprego é o tempo que ganhei, para a minha filha, comecei a ir buscá-la ao colégio cedo (como eu adoro ir buscar a minha filha ao colégio), passar o resto da tarde com ela, a estudar de dia, organizar a casa durante o dia. Tenho feito com sucesso todos os exames deste semestre e a minha princesa anda mais calma, dorme melhor e passa o dobro do tempo com a mãe. 

Os finais de tarde são menos a correr, ela brinca enquanto eu preparo o jantar, ela fala e canta comigo enquanto eu consigo fazer as minhas tarefas de casa. Anda feliz, anda bem disposta.

Uma situação que quero reverter é a do desemprego, não estamos em situação de grandes planos, exigências mas um trabalho com um horário menos pesado fazia de mim uma pessoa muito feliz. Não tenho medo ao trabalho, mas quero muito muito muito ter tempo para a minha filha e para acompanhar bem de perto todas as vitórias e conquistas dela. Custa me perder os melhores momentos dela e não conseguir dar-lhe a atenção que ela merece. Vou um caco para a cama quando isso acontece e não consigo dormir. 

Era uma bola de neve, andava cansada e sem paciência, a Nokinhas depois ficava de birra porque reduzi drasticamente o tempo que passava com ela e só fazia asneiras e birras e coisas que faziam perder a calma. Sentia que o pouco tempo que passava com ela era a ralhar, chamar atenção, deixava a chorar e eu acabava a chorar também...


8 comentários:

  1. Olá Ana, tenho pena que estejas desempregada novamente. Realmente devemos fazer algo que nos dá prazer e de preferência com bom ambiente! Mas digo-te que acho que o teu horário de trabalho era normal... Não há muitos em que saias mais cedo! Claro que as crianças se ressentem, mas a vida é mesmo assim e nós temos de trabalhar! Eu chego 2 dias por semana a casa quase às 21h... Se é o ideal? Não. Mas chego e aproveito ao máximo o bocadinho que tenho com ela, deixando muitas vezes para jantar só depois de ela adormecer, bem depois das 22h..Espero, de qualquer forma, que encontres o sítio ideal para ti. Beijinhos

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    1. Olá Isa, eu sei que seria um horário normal, se o trabalho não fosse fisicamente muito cansativo e se pelo menos mais alguém por lá tivesse o mesmo horário. Mas eu era a que entrava mais cedo, saia mais tarde. Estava numa substituição e ficava com os "fretes". Estava a fazer o meu trabalho e o de quem nesse dia faltava. E sabes que eu, não tenho o apoio em casa como tu tens e isso faz toda a diferença, bastava me entrar ou sair uma meia hora mais cedo e já fazia toda a diferença.

      Mas ia aguentar lá o tempo que fosse necessário.

      Beijinhos

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    2. Essas injustiças custam sempre... As condições de emprego tem vindo a piorar! Eu se não tivesse a minha mãe a ajudar tinha a pequenita 12h na escola todos os dias... É difícil, sem dúvida! Aproveita e estuda e namora a tua pequena enquanto não aparece nada... Beijinhos

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    3. Eu também tinha essa ajuda, da minha mãe, ia buscá-la sempre cedo. Referia me em casa, passo muito sozinha, com o meu marido em Angola, e quando está cá tem dificuldade em perceber onde a ajuda dele é precisa, sei que não é por mal, mas a verdade é que ele chega e apenas não põe a mesa, não cozinha, não dá sopa à Ana, não lhe dá banho, não lhe faz a mochila e também não adormece. Ela ficou tão habituada a isso que quer a mãe para tudo. O pai é para brincar. Infelizmente foi este o rumo possível de seguir por estes lados desde que ela nasceu...

      Beijinhos

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    4. Por cá, tenho pensado muito nisso do tempo com o Diogo, muito mais quando já estou à espera do segundo príncipe. O Diogo para já esta na minha mãe, mas eu não passo tempo nenhum com ele. Sou das que sai de casa às 8:30h e chega pels 19:30h completamente cansada e muitas vezes sem paciência. Com dois não sei como vai ser... Mas sou das que não pode deixar de trabalhar... e sim flexibilidade no horário, reduzir as horas de trabalho era o que precisava. Preferia mil vezes receber menos mas ter tempo para mim e para os meus... beijinhos e aproveita agora o tempo com a princesa!

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  2. Estar desempregada não é nada confortante, mas sei bem o que é trabalhar o dia inteiro e não ter quase tempo para os filhos quanto mais para nós, há males que vêm por bem e neste momento até ganhaste com isso e os resultados estas ressentir ,mas percebo que queiras arranjar emprego mas está difícil ainda para mais com horários mais acessíveis mas algo há de surgir até lá aproveita a tua menina da melhor maneira e tentar mimar-te um bocadinho ,beijinhos

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  3. Tudo se vai recompor, vais ver!
    Boa sorte, querida Ana!!
    Beijinho *.*

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  4. Estar com os filhos é único porque ela não vai voltar a ser criança. O trabalho arranjarás outro, querida, força!

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