Estou outra vez por casa, isto trocado em miúdos quer dizer desempregada. Um misto de sensações vão-se apoderando de mim. Ninguém quer estar desempregada, eu estou neste papel pela segunda vez e não gosto, sinto-me pouco útil, tenho insónias a pensar no futuro e como vou conseguir outro trabalho nestes tempos tão difíceis. Por outro lado, não estava bem no sítio onde estava, adorava o trabalho, as crianças e todas as atividades que fazíamos juntas. Era cansativo sim, mas muito reconfortante.
As crianças são, sem margem para dúvida, o melhor do mundo e a idade da descoberta é fascinante.
O problema era o horário pesado que fazia, entrava às 8h30 e saia às 18h30. Tinha duas horas de almoço que para mim era muito tempo e acabava por quebrar o ritmo e a tarde custava muito a passar. No sítio onde trabalho, se fazes bem não dizem nada, se fazes mal és chamada atenção. Parece comum em muitos sítios, eu sei, mas ali, com a necessidade de apertar o cinto, era pedido para fazer o trabalho de duas pessoas e nem sempre corria bem. Estes e outros pequenos dissabores que fui tendo, estavam a deixar me deprimida, em baixo. Passava pouco tempo com a minha filha, o fim do dia era para o banho dela, a sopa, o nosso jantar e cama. Não cuidava de mim, nem tão pouco tinha tempo para mim e para as minhas coisas ( a universidade ressentiu-se dessa falta de tempo e deixei algumas cadeiras atrasadas no 2º semestre). O fim de semana passava a correr entre compras, as lides da casa e a minha filha. Andava mais do que exausta, andava sem paciência e deprimida.
O lado menos mau do desemprego é o tempo que ganhei, para a minha filha, comecei a ir buscá-la ao colégio cedo (como eu adoro ir buscar a minha filha ao colégio), passar o resto da tarde com ela, a estudar de dia, organizar a casa durante o dia. Tenho feito com sucesso todos os exames deste semestre e a minha princesa anda mais calma, dorme melhor e passa o dobro do tempo com a mãe.
Os finais de tarde são menos a correr, ela brinca enquanto eu preparo o jantar, ela fala e canta comigo enquanto eu consigo fazer as minhas tarefas de casa. Anda feliz, anda bem disposta.
Uma situação que quero reverter é a do desemprego, não estamos em situação de grandes planos, exigências mas um trabalho com um horário menos pesado fazia de mim uma pessoa muito feliz. Não tenho medo ao trabalho, mas quero muito muito muito ter tempo para a minha filha e para acompanhar bem de perto todas as vitórias e conquistas dela. Custa me perder os melhores momentos dela e não conseguir dar-lhe a atenção que ela merece. Vou um caco para a cama quando isso acontece e não consigo dormir.
Era uma bola de neve, andava cansada e sem paciência, a Nokinhas depois ficava de birra porque reduzi drasticamente o tempo que passava com ela e só fazia asneiras e birras e coisas que faziam perder a calma. Sentia que o pouco tempo que passava com ela era a ralhar, chamar atenção, deixava a chorar e eu acabava a chorar também...